Conversas MArt online


Tomás Cunha Ferreira

O trabalho de Tomás Cunha Ferreira (Lisboa, 1973) combina vários suportes, numa prática em circuito aberto e transfronteiriça – cada trabalho assume-se como protótipo que pode tomar diversas formas, funcionando como possível partitura, notação, poema visual, emblema, padrão, pintura, etc. Nessa medida, cada trabalho resulta numa figura híbrida condensada, cuja leitura está em constante transição entre elementos visuais e elementos rítmicos ou sonoros.
Num texto de 1965, “Between Poetry And Painting”, o monge beneditino e poeta Dom Sylvester Houédard utiliza, para se referir de um modo mais amplo à palavra e à pintura, os termos logos e ícone. Percorrendo uma cronologia histórica das relações entre logos e ícone, desde os artefactos primitivos até aos anos de 1960, Dom Sylvester Houédard propõe termos como “quasepintura”, “quasepalavra”, ou mesmo “quaseletra”, que servem como ganchos programáticos abertos e em permanente redefinição. A proposição destes termos compósitos é programática, e as suas premissas procuram abalar a natureza e a existência das palavras e da pintura enquanto matérias estanques, propondo zonas de circulação livre e de não-separação entre texto e imagem, entre poesia e pintura, entre logos e ícone.
Tomás Cunha Ferreira vive e trabalha em Lisboa.

Link para assistir à conversa:

https://us02web.zoom.us/j/89459063385


Francisca Carvalho

Francisca Carvalho (Coimbra, 1981) conclui, em 2005, o Curso Avançado de Artes Plásticas no Ar.Co em Lisboa, licenciou-se em Filosofia na Universidade Nova de Lisboa (2009), e é Mestre em Belas Artes pela Mount Royal School of Art do Maryland Institute College of Art (MICA) (2016). Desde 2008 é professora de Desenho e Pintura no Ar.Co e desde 2014 colabora com a escola Mart. Foi, de 2014 a 2016, bolseira da Fundação Carmona e Costa/Fulbright e Mount Royal School of Art.
Do seu percurso expositivo destacam-se as seguintes mostras individuais: “O assalto violento do burro”, curadoria de Cíntia Gil e apoio da Alecrim 50, Lisboa (2010), “Portmanteau”, Alecrim 50, Lisboa (2012), “Nove desenhos”, Parkour, Lisboa (2014), “Chordata”, Culturgest, Porto (2016), “Hasta”, National Handicrafts and Handlooms Museum, Nova Delhi (2018), “Tiger Mountain”, A Maior (projecto de Bruno Zhu), Viseu (2018), “Hentai flipper tsunami” com André Almeida e Sousa na Sá da Costa (2019), Lisboa, “Loom” mostra da residência “No Entulho” Artworks, Laúndos (2019), “Acordar tarde” na Lehmann + Silva (2019), Porto, “Le ciel du spermatozoïde” no Espaço 531 da Galeria Fernando Santos (2020), Porto. Participou em 2020 na exposição “Canto” com Rita Thomaz e Joana Fervença na Appleton Box, Lisboa, e na exposição dos cinco finalistas “Art on Paper Navigator Prize”, Chiado 8, Lisboa (2018). Ainda em 2018 foi bolseira da Fundação Oriente e da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo desenvolvido uma pesquisa prática na Índia sobre padrões, tintos naturais, kalamkari e hand block printing no Rajastão e Gujarat, India.
Das suas participações em exposições coletivas destacam-se: “Play of Boundaries” (2019) na Galeria Carlos Carvalho, Lisboa, “A wake” Outono Projects, Lisboa; “orto di incendio”, Istituto Nazionale per la Gráfica, Roma; “Francisca Carvalho and Pedro Faria”, Croxhapox, Gent, Bélgica (2014), “Small Victories, School 33, Baltimore, E.U.A. (2016), “Gabinete de Moda”, Gabinete, Lisboa (2017).
De salientar ainda no seu percurso a co-fundação e coordenação do Atelier Concorde, em Lisboa (2010 –2014). Conta ainda com duas publicações “Sun Essay: Soluto, Solvente, Solução” e “Bharata” na revista on line “Wrong Wrong” e também “O Número Sensível” conjuntamente com Paulo T. Silva na revista “InLand”.
Exposições suspensas devido a CoronaVirus, com data por determinar: “Farsa”(exposição colectiva) Sesc Pompeia, São Paulo; Brasil. Verão, espaço curatorial de Antónia Gaeta; Lisboa. Galeria do Paço, a convite de Carlos Corais; Braga. Exposição colectiva no Duplex; Lisboa.


Run Jiang e Luís Almeida


Conversa com Run Jiang e Luís Almeida , ex-artistas residentes da Mart, sobre a sua produção recente.
Run Jiang nasceu em 1986 e é uma artista chinesa que vive e trabalha em Lisboa.
Licenciou-se em cinema e publicidade na China Academy of Art (2009) e concluiu um mestrado em artes plásticas com os parabéns do júri na École des Beaux-Arts de Marselha (2013).
Foi-lhe atribuída uma bolsa de estudos da MArt, espaço de projeto, aprendizagem e experimentação artística em Lisboa (2017-2018). Em 2017, foi selecionada para o prémio Amadeo de Souza-Cardoso (Portugal) e foi uma das nomeadas do prémio FID (França).
Luís Almeida nasceu em 1985 em Lisboa onde vive atualmente.
Fez o curso básico de artes plásticas no Ar.Co entre 2008 e 2011, seguindo-se o curso avançado até 2013. Após uma estadia de ano e meio em Paris, voltou a Lisboa onde fez uma residência artística na MArt. Começou a expor regularmente desde 2016. Fez três exposições individuais: Playing with fire, na galeria Alecrim 50, Lisboa (2017); Santa fé, no Espace Pilote, Paris (2017) e O paraíso não é por aí, na galeria Alecrim 50, Lisboa (2016). Das exposições coletivas destacam-se: Orto di Incendio, Istituto Nationale per la Grafica / Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), Roma e Lisboa (2019); Illusion na galeria DYS, Bruxelas (2018) e a participação na 66ª edição Jeune Création na galeria Thaddaeus Ropac, Paris (2016).
Foi seleccionado para a 66ª edição Jeune Création em 2016 e fez parte do júri de selecção em 2018.Em 2017 foi um dos vencedores do prémio FID (Foire international du dessin). Foi também um dos artistas escolhidos para o livro Portuguese Emerging Artist Catalogue de 2017.


João Jacinto

João Jacinto nasceu em Mafra em 1966. Em 1985 iniciou os seus estudos artísticos na ESBAL. Lecionou entre 1989 e 1992 no Ar.Co em Lisboa.
É, desde 2001, professor na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expõe individualmente desde 1987, tendo participado em inúmeras exposições individuais e coletivas nacionais e internacionais.
A sua obra encontra-se representada em várias coleções: CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Caixa Geral de Depósitos, Lisboa, Coleção António Cachola – MACE – Elvas, Fundação PLMJ, Lisboa, Museu do Chiado (Depósito Isabel Vaz Lopes), Lisboa, Museo Extremeño Iberoamericano de Arte Contemporaneo, Badajoz, Veranneman Foundation, Kruishoutem, Bélgica, Art Collectors, Genebra, Fine Arts Gallery, Bruxelas, Renate Schröder Gallery, Colónia, Gallery Catherine Clerc, Lausanne, Collection Kierbaum & Partner, Colónia, Fundação Carmona e Costa, Lisboa, entre outras.


Pedro Calapez

“A janela é uma abertura, um abrir para a luz e a ventilação. Abre-se e fecha-se; separa os espaços daqui e dali, dentro e fora, pela frente e por trás. A janela abre-se num mundo tridimensional para além dela: é a membrana onde a superfície encontra a profundidade, onde a transparência encontra as suas barreiras. A janela é igualmente um enquadramento, um proscénio: os seus lados sustentam a visão de um lugar.”
Anne Friedberg, The virtual window
O meu trabalho é sobre a janela, como sair e entrar por ela, como dialogar com a realidade ou ilusão que ela permite e proporciona. Nesta conversa tentarei falar de janelas, das minhas janelas. O mundo, as pessoas, os objectos, os espaços que nos rodeiam e envolvem, são a acendalha para o que faço. Sem essa faísca, que se encontra num olhar, num encontro fortuito, ou mesmo num local sem história, a máquina da visão não funciona, um traço dificilmente será alguma coisa.
Pedro Calapez, Maio 2020

Link para assistir à gravação da conversa


Gonçalo Pena

O artista plástico Gonçalo Pena, que trabalha exaustivamente Pintura, Desenho e Ilustração, vem falar-nos do seu trabalho recente na residência artística no Córtex Frontal em Arraiolos.
Gonçalo Pena formou-se em Pintura na FBAUL e fez mestrado em Ciências da Comunicação na UNL com a tese em Design. O seu trabalho como ilustrador foi publicado entre 1993 e 2004 em diversos jornais e revistas portuguesas. Em 2005, passa a dedicar-se ao seu trabalho como artista plástico, atividade que concilia com investigação, ilustração, cinema experimental e performance. Foi professor na ESAD, e atualmente leciona pintura no Ar.Co em Lisboa. Expõe regularmente em instituições portuguesas e internacionais.