O absurdo na Arte Contemporânea: a angústia existencial no século XX

Porque a História da Arte, como diz Ernst Gombrich, “ não é uma história de progresso na proficiência, mas uma história de ideias, concepções, necessidades em constante mudança”, propomo-nos identificar e compreender as relações entre a Arte ocidental e o Absurdo no século XX. Pensamos ser possível apontar uma linha contínua que sustente esta conexão. O absurdo é pensado pelos vários artistas como ferramenta para reflectir, criticar ou questionar o status quo. Na verdade, certas obras que analisaremos neste curso caracterizam-se pela forma ousada como colocam o problema da Existência, aparecendo o absurdo ligado a questões sobre a ausência de sentido e a gratuidade da vida. Defendemos que a arte do século XX e XXI não se move por regiões mas por zonas conceptuais; a recondução da nossa investigação à Arte Ocidental e não a uma escala mais ampla ou até universal justifica-se por notórias razões de exequibilidade e aprofundamento de análise.

Professor: Pedro Arrifano

Pedro Miguel Arrifano, doutorado em História da Arte Contemporânea e investigador do CHAM – Centro de Humanidades (CHAM – NOVA FCSH). Licenciado e Mestre em Filosofia nas áreas específicas de ética, estética e religião. Estudos Avançados do Ciclo de Estudos de Doutoramento no Domínio Científico: Ciências da Educação na área específica de Formação de adultos e supervisão e formação de professores na Universidade Nova de Lisboa. Participação em variados colóquios internacionais e nacionais ligados às temáticas da filosofia e da arte, bem como vários artigos publicados nessas mesmas áreas.

Horário: 1 de Março a 24 de Maio às segundas, das 18h30 às 20h30

Propina: 150,00

Propina para alunos da MArt: 75,00

Propina para artistas residentes na MArt: 50

Programa

1. Apresentação do curso: conteúdos, objectivos, calendarizações. O Contexto histórico; As Artes

2. O absurdo existencial em Camus e em Sartre
A contingência da existência, o nada, a culpa, a morte e o absurdo preencheram páginas de obras literárias (ensaios, romances, peças de teatro) de Jean-Paul Sartre e de Albert Camus. Sistematicamente as personagens concebidas por estes autores observavam a vida como um absurdo, sem qualquer propósito, e surgiam num completo estado de isolamento e angústia (em O Estrangeiro, Sartre descreve a angústia de um ser condenado a ser livre, a escolher: condenado porque não se criou a si mesmo, mas livre porque, lançado no mundo, é responsável pelas suas escolhas).

3. Pintura
Dentro da linha daqueles que entendemos terem seguido de forma consciente e esclarecida o absurdo da existência na pintura, salientamos:
Henri Michaux e Jean Dubuffet : Ser-se vários num mundo hostil e absurdo
Francis Bacon: memento mori

4. Teatro
O teatro do Absurdo de Beckett e Ionesco: A procura e a constatação do Ser no Nada.
Um dos géneros teatrais mais influentes e que mais se dedicou e reflectiu sobre o absurdo da existência foi o teatro do absurdo. Segundo a definição de Martin Esslin (1961), professor de arte dramática, argumentista e crítico, o teatro do absurdo: “esforça-se por expressar o sentido do sem sentido da condição humana, e a inadequação da abordagem racional, através do abandono dos instrumentos racionais e do pensamento discursivo e realiza-o através de uma poesia que emerge das imagens concretas e objecto do próprio palco.”

5. Cinema
Não subsistem dúvidas de que os cineastas franceses e norte- americanos se inspiraram mutuamente, mas havia outros países que estavam a ressuscitar das cinzas da Segunda Guerra Mundial e que também se voltaram para a questão da finitude do homem e do absurdo dessa condição. Exemplos disso são Ingmar Bergman, sueco, Akira Kurosawa, japonês e Andrei Tarkovski, russo, que viriam a ser considerados imprescindíveis no mundo do cinema.
Film Noir: os heróis-não-heróicos
Do Neo-realismo à Nouvelle Vague: o ser humano como “uma paixão inútil”
A meditatio mortis em Ingmar Bergman

6. Escultura/Arte Minimalista e Conceptual/ Happenings
As figuras humanas de Alberto Giacometti.
A incorporação do absurdo na Arte minimal em Eva Hesse.
A “queda” nos Happenings de Bas Jan Ader ou a hybris como excesso que nos afasta da reconciliação com o mundo.

7. Neo-Expressionismo alemão
O Neo-Expressionismo alemão iniciou-se nos anos 70 e surgiu de certa forma na contracorrente da herança modernista. Movimento pictórico heterogéneo, a sua estética encontra inspiração nos artistas do passado, não apenas no expressionismo, mas também em outros estilos. Ao regressar à pintura figurativa que tinha sido de certa forma desacreditada após a II Guerra, “assume e prolonga a herança do expressionismo alemão dos anos 20, rompendo com o minimalismo e a arte conceptual dos anos 6070.
Anselm Kiefer: As ruínas como elemento de recordação
Baselitz e o mundo virado de cabeça para baixo.

8. O absurdo existencialista Pulp na arte ocidental a partir do século XX (89-agora): os fingidores do absurdo.
Contexto histórico-filosófico
As Artes
Do absurdo existencial ao absurdo existencial pulp: Os fingidores do absurdo

9. As grandes exposições de arte do circuito internacional
Documenta IX (1992)
“Freeze” e “Sensation”: Os “Young British Artists”
A Bienal de Veneza 2017: A “Pós-verdade” em Damien Hirst

10. Da arte da instalação à instalação Hiper-realista do absurdo existencialista pulp: artistas salvos pela polémica
As Instalações hiper-realista de Maurizio Cattelan
“Momentos de impacto” na Street art de Mark Jenkins

11. O absurdo como uma ciência para caminhar entre cacos de vidro ou tentativas sensacionalistas para ser conhecido? A arte performativa eXtrema.
O Bob Flanagan: O super-absurdismo de um Super-masoquista
A remissão pelo sangue em Ron Athey

12. O choque pelo choque ou o absurdo em nome da arte: Guillermo Vargas “Habacuc”/Oleg Kulik/Santiago Serra
Guillermo Vargas “Habacuc”: A indignação
Oleg Kulic: A existência animal de um artista
Santiago Sierra: A ausência radical de sentido
Conclusões.

 

INSCRIÇÕES E PROPINAS

Para se inscrever por favor preencha a ficha de inscrição e proceda ao pagamento da propina por transferência bancária.

1. Ficha de inscrição: https://forms.gle/kAwetbYwZnctAyno7

2. Pagamento da propina por transferência bancária: IBAN – PT50003300004544981016905

Por favor envie o comprovativo para o email contabilidade.artemart@gmail.com com a referência do nome do aluno.

O site encontra-se em processo de transição com o objetivo de informatizar o processo de inscrição e a criação de uma página pessoal onde cada participante pode assistir às aulas e gerir o seu currículo. Por este motivo, ainda não é possível realizar a inscrição através do site, sendo esta processada manualmente.

Completo este procedimento, ser-lhe-á enviado um email a comprovar a sua inscrição, bem como, os links para assistir às aulas.

Agradecemos a sua colaboração.
A equipa MArt

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Este curso é indicado para todos os níveis de aprendizagem
Durante a pandemia covid 19, as aulas decorrem num modelo misto, presencial e online. Durante os períodos de quarentena, as aulas ocorrem apenas online. Após a finalização do processo de inscrição, ser-lhe-á enviado o link para assistir às aulas.
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Duration: Março a Maio 2021
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Price:
€150