29 de Maio de 2019

Visitas MArt – “Cascata” de Paulo Brighenti e Navigator Art on Paper

Os alunos e residentes da MArt visitaram no último dia 29 de Maio a exposição “Cascata” do artista Paulo Brighenti, na Galeria Belo-Galsterer, com visita guiada do próprio artista. Estiveram presentes cerca de vinte pessoas. Foi uma sessão animada, com muitas perguntas por parte do público e muita generosidade por parte do artista, que revelou não só algumas das histórias por trás dos trabalhos como certos métodos e técnicas empregues.

Créditos: Filipa Pestana

À tarde foi a vez de visitar a Sociedade Nacional de Belas-Artes, guiados pelo artista e professor de Problemáticas da Arte Contemporânea Miguel Ferrão e pela curadora Filipa Oliveira, para ver os resultados do prémio Navigator Art on Paper.

Créditos: Filipa Pestana

22 de Maio de 2019

Oficina de Cerâmica “Tomai e Comei”

Créditos: Filipa Pestana

A mesa e a refeição possuem por si só uma capacidade de agregação e partilha de experiências e intimidade. Uma prática social que se reflecte na prática artística.

Sob a orientação do artista Carlos Ribeiro, foi realizado nos dias 22 e 24 de Maio na MArt um workshop onde se pensou, definiu e criou suportes, contentores, recipientes, dispositivos, objectos para comer e beber.

A ideia foi quebrar com os estereótipos do objecto utilitário, recriá-lo e levar ao limite a experiência da sua concepção e utilização prática.

17 de Maio de 2019

Residências Artísticas da Direção-geral de Educação

Decorreram de 13 a 17 de Maio mais três Residências Artísticas da DGE em três agrupamentos de escolas – Lisboa, Loures e Loulé.

Em Lisboa, com os artistas plásticos Paulo Brighenti e André Almeida e Sousa, da MArt, os alunos criam novos seres mitológicos e atribuem-lhes superpoderes para solucionarem os problemas do nosso século. Esculturas com materiais reutilizados são as propostas criativas que convocam a sensibilidade estética e artística; saem da sala de aula para a rua e manifestam os desejos ambientais dos alunos. 

Em Loures, o coralista Jorge Rodrigues do Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, articula a música com os princípios da cidadania. As crianças aprendem música e defendem os valores de democracia: Música é Democracia e a Democracia é musical.

Em Loulé, o trompista Todd Sheldrick, músico da Orquestra Clássica do Sul, propõe a criação de instrumentos musicais não convencionais a partir da reutilização de resíduos que terão oportunidade de uma nova vida: proporcionar novos sons para uma orquestra experimental de crianças que desejam criar harmonias.

Nestas residências, no final da semana, a 17 de Maio, os pequenos artistas, em colaboração com os seus mentores, apresentam à comunidade educativa, representantes dos gabinetes ministeriais e das autarquias as suas criações, todos os processos criativos, reforçando a importância do papel inclusivo que as Artes desempenham na construção integral dos indivíduos e no quotidiano das escolas.

As Residências Artísticas (R-A) são uma Iniciativa interministerial entre a Educação e a Cultura, dinamizada pela Equipa de Educação Artística, realizadas em contexto de sala de aula, nas áreas das Artes Visuais, Dança, Música e Teatro, almejando a curiosidade e a harmonia do indivíduo, que se quer cada vez mais completo.

Fonte: http://www.dge.mec.pt/noticias/educacao-artistica/residencias-artisticas-r-2019-loule-loures-e-lisboa

15 de Maio de 2019

Prémio EDP Novos Artistas

Os finalistas do Prémio Novos Artistas EDP inauguraram no MAAT no dia 15 de Maio. A MArt dá os parabéns à artistas Isabel Madureira Andrade, residente da escola entre 2014-2016. 

Créditos: Fundação EDP

Isabel Madureira Andrade nasceu em S. Miguel, Açores, em 1991. Vive e trabalha em Lisboa. Completou a Licenciatura e o Mestrado em Pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (2010-2018). Expõe regularmente desde 2014, destacando-se a sua exposição individual Indícios na Fundação Portuguesa das Comunicações (Lisboa, 2017). O seu trabalho centra-se na prática do desenho e da pintura através da exploração técnica da frottage, em que as marcas físicas de determinados objetos do quotidiano são recuperadas e registadas por contacto direto sobre diversos suportes, nomeadamente sobre papel e sobre tela.

https://www.fundacaoedp.pt/en/artist/isabel-madureira-andrade

https://www.artecapital.net/snapshot-41-isabel-madureira-andrade

https://fonsecamacedo.com

11 de Maio de 2019

COEXISTÊNCIA E NEGOCIAÇÃO no Museu dos Condes de Castro Guimarães

Inaugurou no passado sábado 11 de Maio a exposição COEXISTÊNCIA E NEGOCIAÇÃO no Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais. A exposição é o resultado da ocupação que os artistas residentes e os alunos da MArt estão a desenvolver no museu desde o início de 2019. 

Aos artistas residentes da escola de arte MArt foi dada uma desafiadora proposta: construir uma relação com o Museu Condes de Castro Guimarães. Mais do que simplesmente introduzir os seus trabalhos ao longo do percurso da exposição permanente, eles propuseram um olhar particular sobre o museu.

Neste processo, a negociação foi o seu mais presente e sensível ativo: para além de ponderar a coexistência entre arte antiga e contemporânea, a ocupação da MArt também se afirmou nos pactos realizados entre os residentes da escola e a equipa do museu e nos ajustes necessários para as condições estruturais e físicas de apresentação das peças.

Enquanto projeto expositivo coletivo, COEXISTÊNCIA E NEGOCIAÇÃO faz também referência ao historial, à arquitetura e ao acervo do museu onde coabitam diversos estilos e períodos.

De que que maneira a história deste museu pode ser reapropriada para os tempos atuais? Como trazer um olhar contemporâneo para episódios que ficaram para trás? Como “ressignificar” e dar nova importância a um espaço repleto de testemunhos e vestígios do passado? A produção artística contemporânea, com as suas inúmeras vias de negociação e propostas de coexistência pode, acreditamos, contribuir para uma resposta a estas questões – uma resposta necessariamente plural.

Júlia Flamingo

30 de Abril de 2019

MArt em Roma

Ao abrigo do programa de formação internacional do Istituto Centrale per la Grafica, em Roma, um grupo de artistas convidados pela MArt na sequência da exposição Orto di Incendio viajou para a capital italiana para uma residência artística em gravura. 

Tal como na exposição, patente entre Fevereiro e Abril deste ano e em que participaram 26 artistas portugueses, a residência teve como mote a poesia de Al Berto. As duas semanas de formação sob a alçada do gravador Matteo Borsoi tiveram a finalidade de produzir um livro de artista com as gravuras de todos os participantes.

Patrícia Sasportes, Ana Natividade, Paulo Brighenti, Filipa Pestana, Joana Santos e João Deqc, Francisca Carvalho, Matilde Torres Pereira, Inês Soares e Luís Almeida foram os artistas residentes no Istituto. O livro produzido durante a residência será apresentado ao público em data a anunciar.

Para mais informações sobre o Istituto Centrale per la Grafica e os seus programas de formação, visitar www.grafica.beniculturali.it/attivita/formazione-e-didattica.

A exposição Orto di Incendio teve a coordenação de Federico Bertolazzi e Ana Natividade e resultou da parceria entre a MArt, o Istituto Centrale per la Grafica, a Cátedra Agustina Bessa-Luís e o MNAC. Contou com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Camões e ainda o apoio institucional da Embaixada de Portugal em Itália, da Aispeb – Associazione Italiana Studi Portoghesi e Brasiliani, da Passigli Editori e da Assírio & Alvim. A Superfície Pictórica, o Ponto das Artes e a Universitalia prestaram apoio à produção.

A exposição, que terminou em Roma a 14 de Abril, volta para Lisboa e estará no MNAC do Chiado em Novembro. Para mais informações sobre os artistas, textos e documentação do projeto Orto de Incendio, visitar www.ortodiincendio.com.

29 de Abril de 2019

Ciclo de exposições proCURARE 

“Contaminatio”, da dupla de artistas curadores proCURARE

Os artistas residentes em MArt Carlos Ribeiro e Filipa Pestana programaram acções para dois espaços dentro das instalações da MArt, intituladas “o Cubículo” e “no Gabinete”, iniciando também um ciclo de exposições de artistas residentes da MArt na Antiga Carpintaria da Carris, em Lisboa. 

Carlos Ribeiro e Filipa Pestana prestam apoio a exposições ou eventos que os restantes residentes queiram fazer nestes locais, que estão disponíveis a todos.  

A primeira exposição para o Cubículo decorreu no dia 11 de Março, com o trabalho de Carlos Ribeiro, dia em que também Filipa Pestana apresentou a sua proposta n’o Gabinete.

Contaminatio

23 de Março, às 15H na Antiga Carpintaria da Carris
R. 1º de Maio 101, 1300-472 Lisboa

A proCURARE iniciou a sua programação com a exposição “contaminatio”, num lugar rico em história citadina num espaço desafiante e pleno de energia: a Carpintaria da Carris. 

Perto da LXFactory, ao lado do Museu da Carris, onde a história dos transportes em Lisboa está presente nos mais variados objetos presentes, como é o caso dos elétricos, mantém uma atividade quotidiana na construção e reparação de mobiliário, sob a responsabilidade do Jorge Vanzeller e seu sócio, apresenta-se como um local de criatividade e paixão na relação com a sua arte e com as artes plásticas.

Num espaço amplo, que se imiscui na própria área de laboração, a Antiga Carpintaria da Carris abre-se a exposições de arte proporcionando oportunidades expositivas interessantes e surpreendentes quer pelas características do espaço quer pelo teor das propostas que ali surgem. 

É neste sentido que, por evidente empatia com o local, o projeto proCURARE foi ao seu encontro para inaugurar a exposição que representará o seu primeiro evento na cidade de Lisboa e abrirá o programa “Ciclo de Artistas Na Antiga Carpintaria da Carris”: “contaminatio”.

“Contaminatio” surge da vontade dos artistas Filipa Rocha e Carlos Ribeiro, artistas residentes na MArt realizarem uma exposição conjunta permitindo-se influenciar mutuamente.

Ao longo de vários meses, foram desenvolvendo trabalho, procurando pontos de contacto que pudessem representar o fruto do quotidiano dentro do espaço de atelier e naquilo que possa estar, eventualmente, presente dentro de cada um, como contaminável.

O resultado final, sem pretensão maior do que aquela que se relaciona com a vontade de realizar trabalho, em relação artística, resulta de dois percursos bem diferentes, em médias igualmente distantes, a pintura e a cerâmica, que convergiram, num determinado momento, em busca de afinidades formais e de outra índole.

Num espaço cuja escala se impõe, “contaminatio” aceita o desafio de se lhe sobrepor ao ponto de o tornar invisível.

Travessias

4 de Maio, às 16H, na Antiga Carpintaria da Carris
R. 1º de Maio 101, 1300-472 Lisboa

Eugénia Mendes, Flávia Germano Barra, João Luís Simões e Zohia Polanco inauguram a exposição Travessias, inserida no ciclo proCURARE.

Mais informações

facebook.com/procurarelisboa

Carlos Ribeiro (+351)936 278 789 |  acaso.1962@gmail.com |  ribacaso.wordpress.com

Filipa Pestana (+351)961 312 706 |  pipapestanarocha@icloud.com |  instagram.com/filipa.cabral.pestana

MArt assina protocolo com a Direcção-Geral de Educação

10 de Abril de 2019

Alargando o âmbito de actuação da MArt junto dos alunos do ensino básico, trabalho que tem vindo a decorrer desde 2017 na Escola Manuel da Maia, onde a MArt está sediada, foi celebrado em 2019 um protocolo de cooperação com a Direcção-geral da Educação através do programa de Programa Nacional da Educação Estética e Artística para a realização de residências artísticas intensivas com turmas do 1º ciclo em várias escolas do país em articulação com os professores das respetivas turmas. 

Apresentação publica dos trabalhos realizados na residência artística em moura com o artista carlos ribeiro e os alunos do alunos da turma 2 ano da EB dos Bombeiros do Agrupamento de escolas de Moura no Espaço INOVINTER

No ano lectivo 2018/2019 estão programadas três residências artísticas: com o artista David Gonçalves no Agrupamento de Escolas José Silvestre Ribeiro em Monsanto, Idanha-a-Nova; com os artistas André Almeida e Sousa e Paulo Brighenti no Agrupamento de Escolas Luís de Camões no Areeiro em Lisboa; e com o artista Carlos Ribeiro na Escola Básica dos Bombeiros do Agrupamento de Escolas de Moura.

Apresentação publica dos trabalhos realizados na residência artística em moura com o artista carlos ribeiro e os alunos do alunos da turma 2 ano da EB dos Bombeiros do Agrupamento de escolas de Moura no Espaço INOVINTER

Os artistas realizam durante uma semana uma residência numa destas escolas orientando várias actividades com os alunos e no final fazem uma apresentação pública, abrindo a escola a todos os que a queiram visitar.

Todas estas escolas fazem parte do Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIPE) e localizam-se “em territórios económica e socialmente desfavorecidos, marcados pela pobreza e exclusão social, onde a violência, a indisciplina, o abandono e o insucesso escolar mais se manifestam. São objetivos centrais do programa a prevenção e redução do abandono escolar precoce e do absentismo, a redução da indisciplina e a promoção do sucesso educativo de todos os alunos”, de acordo com a definição do Ministério da Educação.

Residência Artística na Escola Básica de Monsanto, Idanha-a-Nova com o artista David Gonçalves

Estas atividades são realizadas pelos professores e artistas residentes em regime de voluntariado e o material é fornecido pela MArt. As residências artísticas em regime intensivo para alunos do 1º ciclo do ensino básico contam com o apoio da Giefarte e o material é fornecido pelas Câmaras Municipais onde estão localizadas as escolas.

Este protocolo traz reconhecimento ao trabalho da MArt por parte de duas entidades oficiais, os ministérios da Educação e o da Cultura, e mostra o crescente interesse nas relações e benefícios do ensino artístico para a formação e educação de jovens. 

Exposição: “O que vemos e o que não vemos”

4 de Abril de 2019

Artistas residentes em MArt Frederico Pratas, Maria Helena Paz Ferreira e Rogério Pampulha mostram o seu trabalho na Galeria Sá da Costa, em Lisboa, de 4 a 28 de Abril, numa exposição comissariada pelo artista e professor André Almeida e Sousa.

Três artistas apresentam as suas pinturas, afirmando, no seu processo de chegada, uma heurística crua, sem rodeios.

A superfície dos seus trabalhos exibe uma arquitectura por camadas de tinta, decisões demonstrativas de um lastro de tempo inseparável da leitura final da obra acabada. É próprio de alguma pintura apresentar este trajecto sem recorrer a longas ginásticas correcti vas. Desta forma, o que nos é dado a ver é a matriz da superfície da pintura e, ao mesmo tempo, uma atitude descomplexada e experimental que se interroga no fazer. 

Nas paisagens de Maria Helena Paz Ferreira a paleta é reduzida ao essencial, as cores invocam elementos com simplicidade: azuis/verdes, ar e água; castanhos/laranjas, terra e fogo, numa interpretação vivida das forças telúricas que a fascinam.

Estas cores/invocações são submetidas a sucessivos alagamentos num constante esboroamento do contorno aparente das coisas. Através das suas composições directas a terra levita, o ar torna-se onda, o mar infiltra-se por todo o lado e tudo interroga, numa apaixonada geologia do tempo e da memória. Não é alheia a essa memória a sua condição transportada de ilhéu de humores atlânticos, tão orgulhosa como nostálgica. 

Frederico Pratas apresenta uma figuração lúbrica em que duplas de corpos são esculpidas pela mesma consistência espessa com que aparentemente neutraliza o fundo. Na realidade, é a constante reconfiguração destes dois planos, figura e fundo, que o artista utiliza de forma sábia para invocar um ambiente quer erótico quer fúnebre. Esta ambiguidade de metamorfose passeia-se na viscosidade da tinta que desabridamente indica uma situação: Campos verticais de chuva ácida enformam corpos petrificados, ” em mutação “, como nos diz o Frederico, mas uma mutação estática, como se nos deparássemos com outra Pompeia e com outros guardiões improváveis da História. 

Rogério Pampulha procura a origem das coisas da natureza, a sua sublime simplicidade que cada vez é preciso procurar mais longe, numa demanda de solidão onde o êxtase mudo se possa manifestar. Sentimo-la na maneira como descreve uma escalada ao planalto central da Serra da Estrela ou no prazer de um dia luminoso algures no Mediterrâneo. 

Nos formatos maiores e acoplados também sentimos este necessário percurso sentimental, percurso para respirar e contemplar, como o fazem as figuras e estátuas, entretanto transformadas em árvores e colunas verticais com que se edifica a composição. Há na sua produção artística um constante humor que se materializa tanto em formas minerais como em citações de influência clássica ou de memórias de lugares de férias que emocionaram o artista. Para o Rogério, é o desenho fluido e despachado que garante o lugar da memória. 

André Almeida e Sousa

Frederico Pratas

Natural de Angola. Trabalha e vive em Lisboa. Artista Residente na Mart, Espaço de projecto, aprendizagem e experimentação artística.

Maria Helena Paz Ferreira

Natural de Ponta Delgada, Açores. Vive em Lisboa. Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa. Frequentou o curso de desenho e pintura no Arco e em seguida fez atelier acompanhado na Arte Ilimitada. Artista Residente na Mart, Espaço de projecto, aprendizagem e experimentação artística.

Rogério Pampulha

Natural de Angola. Vive em Lisboa. Licenciatura em Arquitectura na ESBAL, Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Formação em Desenho e Pintura no Ar.Co, Centro de Arte & Comunicação Visual. Artista Residente na Mart, Espaço de projecto, aprendizagem e experimentação artística.

Rita Natálio: Crise, humanidade e natureza

3 de Abril de 2019

©Arya Dil, “Antropocenas”/ “Anthroposcenes”, Far Festival, Nyon 2018

A investigadora Rita Natálio esteve no dia 3 de Abril em MArt a convite do professor de Problemáticas de Arte Contemporânea Miguel Ferrão.

Rita Natálio é actualmente doutoranda em Estudos Artísticos na FCSH-UNL e Antropologia na FFLCH-USP, onde pesquisa o recente debate sobre Antropoceno e o seu impacto sobre a redefinição disciplinar das relações entre arte, política e ecologia, particularmente no caso do cinema indígena e da etnografia contemporânea. 

A sua atividade principal centra-se nas áreas da poesia, ensaio, dramaturgia e performance. Interessa-se pelo formato conferência-performance, apresentando as suas propostas ora em contextos académicos ora em contextos artísticos. Co-organiza, junto com André e.Teodósio uma chancela editorial Ed.________ com foco nas artes performativas e reflexões sobre sistemas de poder e protesto na atualidade.

Na sessão em MArt, centrou-se na sua investigação de doutoramento, intitulada “Efeito antropocénico – crise ecológica e percepções humano-natureza nas práticas artísticas e etnográficas”.

Esta pesquisa em Estudos Artísticos (FCSH-UNL) e Antropologia (FFLCH-USP) tem como foco o recente debate sobre o conceito de Antropoceno e a sua influência sobre a redefinição disciplinar e estética das relações entre arte, antropologia, política e ecologia. 

Ao intersectar questões económicas, políticas, estéticas, epistemológicas ou ontológicas relativas às transformações climáticas do século XXI, com o universo da produção artística contemporânea e da etnografia experimental, a pesquisa tenta responder à seguinte pergunta: de que modo o Antropoceno e a presente crise climática alteram e transformam as noções de “humanidade” e de “natureza”?

Estiveram presentes na sessão, além de Rita Natálio e Miguel Ferrão, os alunos e residentes da MArt.

Para mais informação sobre o trabalho de Rita Natálio: https://ritanatalio.wordpress.com.

As aulas de PAC são quinzenais e abertas ao público mediante inscrição. 

Hugo Canoilas de visita a MArt

2 de Abril de 2019

Tutoria com os artistas residentes

O artista Hugo Canoilas esteve na MArt nos dias 28 e 29 de Março a convite do professor Miguel Ferrão para uma sessão da disciplina de Problemáticas da Arte Contemporânea.

Hugo Canoilas fez uma leitura comentado do seu texto “sandes de merda”, que fala, entre outras coisas, do meio artístico e de certos aspectos da prática do artista. Seguiu-se uma discussão à volta do texto, que rapidamente se desenvolveu por variados tópicos. A assistir à sessão estiveram os residentes da MArt.

No dia seguinte, o artista teve a amabilidade de visitar os artistas residentes para tutorias individuais, dando a sua opinião e incentivo ao trabalho de cada um.

Sessão com Hugo Canoilas n’O Gabinete da MArt

Hugo Canoilas é artista plástico, curador, professor e “operador estético”, e é responsável, entre outros projectos, pelo Guimarães (Viena, Áustria), pel’A Gruta (Galeria Quadrado, Lisboa, Portugal), pelas exposições “Supergood — Diálogos com Ernesto de Sousa” (MAAT, Lisboa, Portugal), “Later Is Now” (Workplace Gallery, Londres, Reino Unido) ou “Debaixo do Vulcão” (MNAC, Lisboa, Portugal).

Mais informações sobre o artista em https://www.artecapital.net/entrevista-258-hugo-canoilas ou https://www.quadradoazul.pt/pt/qa/artist/hugo/

Livros de Artista em MArt

22 de Março de 2019


A artista Ana João Romana esteve em MArt no dia 22 de Março para dar uma aula sobre o contexto histórico e contemporâneo do “Livro de Artista”. A artista trouxe vários exemplares de livros de artista que mostrou aos alunos e residentes da MArt com o intuito de introduzir o conceito no ambiente de trabalho dos alunos e de dar referências sobre o mesmo. Algumas definições de livro de artista trazidas por Ana João Romana:

“… o livro de artista é por si só uma obra de arte, concebida especificamente na forma de livro e frequentemente publicado pelo próprio artista. Pode ser visual, verbal ou visual/verbal. Com algumas excepções, é um todo como peça, consistindo num trabalho em série ou série de ideias/imagens – uma exposição portátil. Mas, ao contrário de uma exposição, o livro de artista não reflecte as opiniões exteriores e permite ao artista contornar o sistema comercial da galeria, assim como evitar más interpretações por críticos e outros intermediários. Habitualmente não é caro, modesto no formato e ambicioso no alcance, o livro de artista é também um veículo frágil para pesadas cargas de crenças e ideias: é considerado por muitos a maneira mais fácil, fora do mundo artístico, em direcção ao coração de uma maior audiência.” Lucy Lippard, “The artist´s book goes public”, 1977

“Livros de artista são 1. Portáteis, 2. Duráveis, 3. Baratos, 4. Íntimos, 5. Não-preciosos, 6. Reproduzíveis, 7. Históricos e 8. Universais.” Clive Phillpot, “Book art digressions”, 1976, in “Booktrek”

Ana João Romana é licenciada em Pintura, mestre em Gravura e doutorada na área do Livro de Artista. Expõe regularmente desde 1996 em Portugal e no estrangeiro. É docente na Escola Superior de Artes & Design – Caldas da Rainha. Desenvolve a sua obra na área da instalação e das publicações de autor, tendo como referentes o tempo e o espaço, a história e a estória.

A Ana João tem colaborado com a MArt e participou recentemente como artista convidada no projecto de gravura sobre a obra de Al Berto “Horto de Incêndio”.


Conversas na MArt – Andrea Ebert
O trabalho como pensamento sistémico

13 de Março de 2019

A artista Andrea Ebert esteve em MArt no passado dia 13 de Março para apresentar o seu trabalho no âmbito do ciclo de Conversas na MArt, que tem convidado antigos residentes da escola a virem falar do seu percurso artístico e da vida depois da MArt como forma também de enquadrar os actuais residentes nas possibilidades futuras para os seus trajectos no meio artístico.

Andrea Ebert nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1970. Mora desde 2012 em Lisboa e trabalha em vários formatos e meios, como o desenho, gravura, fotografia e vídeo. Andrea interessa-se sobretudo na noção de “sistemas”, como artista e como espectadora, e nas dinâmicas das instituições culturais no meio da arte contemporânea.

A sua produção artística começou a ter mais intensidade em 2016, quando foi residente e bolseira na MArt. Em 2017 desenvolveu trabalhos de pesquisa na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e em 2018 na Biblioteca ACC em Gwangju, na Coreia do Sul.

Na sessão na MArt, Andrea contou como lhe chegou a ideia de “tratar o trabalho como pensamento sistémico”: “comecei a pesquisar sobre isso, o que é um sistema, as partes em que pode fazer um conjunto; e vi que isso tinha a ver com o que fiz e o que me interessa”.

O alicerce dessa pesquisa, explicou a artista, é o auto-testemunho ou autoconsciência, que funciona sobre dois pólos, objecto e sujeito. “Quando um se move, o outro também, num jogo relacional.”

“Aí aparece o processo de criação, onde existe uma evolução. Pensando nesse pensamento sistémico, fiquei curiosa em como seria o pensamento da Andrea, e como se visualiza esse sistema”, disse a artista.

Andrea Ebert falou também nas várias vertentes da sua prática, que inclui a ilustração, as artes marciais, o shiatsu e o trabalho com jovens.

A partir de 2014, uma vez por semana, numa escola nas Olaias, Andrea começou o Clube do Desenho, um trabalho para desmistificar o desenho e o trabalho visual que surgiu de uma observação de uma professora que lhe falou do “medo de desenho”. Com esses jovens, Andrea trabalhou a pratica do fazer, o uso do espaço com respeito, o sentido de autotestemunho, a adaptabilidade a desburocratização e o olhar crítico, sendo o desenho uma ferramenta e com um método que a artista vê também como “sistema”.

A sessão foi depois aberta a perguntas, e foram debatidos o conceitos apresentados, como a ideia de autotestemunho, a noção de sistema e a relação desta investigação e da prática da artista com o shiatsu e as artes marciais.

Estiveram presentes um grupo de alunos e residentes da MArt, os professores Miguel Ferrão e Paulo Brighenti e ainda a curadora Cláudia Pestana. 

Mais informação sobre a artista em www.andreaebert.me.