Jornal

MArt assina protocolo com a Direcção-Geral de Educação

10 de Abril de 2019

Alargando o âmbito de actuação da MArt junto dos alunos do ensino básico, trabalho que tem vindo a decorrer desde 2017 na Escola Manuel da Maia, onde a MArt está sediada, foi celebrado em 2019 um protocolo de cooperação com a Direcção-geral da Educação através do programa de Programa Nacional da Educação Estética e Artística para a realização de residências artísticas intensivas com turmas do 1º ciclo em várias escolas do país em articulação com os professores das respetivas turmas. 

Apresentação publica dos trabalhos realizados na residência artística em moura com o artista carlos ribeiro e os alunos do alunos da turma 2 ano da EB dos Bombeiros do Agrupamento de escolas de Moura no Espaço INOVINTER

No ano lectivo 2018/2019 estão programadas três residências artísticas: com o artista David Gonçalves no Agrupamento de Escolas José Silvestre Ribeiro em Monsanto, Idanha-a-Nova; com os artistas André Almeida e Sousa e Paulo Brighenti no Agrupamento de Escolas Luís de Camões no Areeiro em Lisboa; e com o artista Carlos Ribeiro na Escola Básica dos Bombeiros do Agrupamento de Escolas de Moura.

Apresentação publica dos trabalhos realizados na residência artística em moura com o artista carlos ribeiro e os alunos do alunos da turma 2 ano da EB dos Bombeiros do Agrupamento de escolas de Moura no Espaço INOVINTER

Os artistas realizam durante uma semana uma residência numa destas escolas orientando várias actividades com os alunos e no final fazem uma apresentação pública, abrindo a escola a todos os que a queiram visitar.

Todas estas escolas fazem parte do Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIPE) e localizam-se “em territórios económica e socialmente desfavorecidos, marcados pela pobreza e exclusão social, onde a violência, a indisciplina, o abandono e o insucesso escolar mais se manifestam. São objetivos centrais do programa a prevenção e redução do abandono escolar precoce e do absentismo, a redução da indisciplina e a promoção do sucesso educativo de todos os alunos”, de acordo com a definição do Ministério da Educação.

Residência Artística na Escola Básica de Monsanto, Idanha-a-Nova com o artista David Gonçalves

Estas atividades são realizadas pelos professores e artistas residentes em regime de voluntariado e o material é fornecido pela MArt. As residências artísticas em regime intensivo para alunos do 1º ciclo do ensino básico contam com o apoio da Giefarte e o material é fornecido pelas Câmaras Municipais onde estão localizadas as escolas.

Este protocolo traz reconhecimento ao trabalho da MArt por parte de duas entidades oficiais, os ministérios da Educação e o da Cultura, e mostra o crescente interesse nas relações e benefícios do ensino artístico para a formação e educação de jovens. 


Livros de Artista em MArt

22 de Março de 2019


A artista Ana João Romana esteve em MArt no dia 22 de Março para dar uma aula sobre o contexto histórico e contemporâneo do “Livro de Artista”. A artista trouxe vários exemplares de livros de artista que mostrou aos alunos e residentes da MArt com o intuito de introduzir o conceito no ambiente de trabalho dos alunos e de dar referências sobre o mesmo. Algumas definições de livro de artista trazidas por Ana João Romana:

“… o livro de artista é por si só uma obra de arte, concebida especificamente na forma de livro e frequentemente publicado pelo próprio artista. Pode ser visual, verbal ou visual/verbal. Com algumas excepções, é um todo como peça, consistindo num trabalho em série ou série de ideias/imagens – uma exposição portátil. Mas, ao contrário de uma exposição, o livro de artista não reflecte as opiniões exteriores e permite ao artista contornar o sistema comercial da galeria, assim como evitar más interpretações por críticos e outros intermediários. Habitualmente não é caro, modesto no formato e ambicioso no alcance, o livro de artista é também um veículo frágil para pesadas cargas de crenças e ideias: é considerado por muitos a maneira mais fácil, fora do mundo artístico, em direcção ao coração de uma maior audiência.” Lucy Lippard, “The artist´s book goes public”, 1977

“Livros de artista são 1. Portáteis, 2. Duráveis, 3. Baratos, 4. Íntimos, 5. Não-preciosos, 6. Reproduzíveis, 7. Históricos e 8. Universais.” Clive Phillpot, “Book art digressions”, 1976, in “Booktrek”

Ana João Romana é licenciada em Pintura, mestre em Gravura e doutorada na área do Livro de Artista. Expõe regularmente desde 1996 em Portugal e no estrangeiro. É docente na Escola Superior de Artes & Design – Caldas da Rainha. Desenvolve a sua obra na área da instalação e das publicações de autor, tendo como referentes o tempo e o espaço, a história e a estória.

A Ana João tem colaborado com a MArt e participou recentemente como artista convidada no projecto de gravura sobre a obra de Al Berto “Horto de Incêndio”.


Conversas na MArt – Andrea Ebert
O trabalho como pensamento sistémico

13 de Março de 2019

A artista Andrea Ebert esteve em MArt no passado dia 13 de Março para apresentar o seu trabalho no âmbito do ciclo de Conversas na MArt, que tem convidado antigos residentes da escola a virem falar do seu percurso artístico e da vida depois da MArt como forma também de enquadrar os actuais residentes nas possibilidades futuras para os seus trajectos no meio artístico.

Andrea Ebert nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1970. Mora desde 2012 em Lisboa e trabalha em vários formatos e meios, como o desenho, gravura, fotografia e vídeo. Andrea interessa-se sobretudo na noção de “sistemas”, como artista e como espectadora, e nas dinâmicas das instituições culturais no meio da arte contemporânea.

A sua produção artística começou a ter mais intensidade em 2016, quando foi residente e bolseira na MArt. Em 2017 desenvolveu trabalhos de pesquisa na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e em 2018 na Biblioteca ACC em Gwangju, na Coreia do Sul.

Na sessão na MArt, Andrea contou como lhe chegou a ideia de “tratar o trabalho como pensamento sistémico”: “comecei a pesquisar sobre isso, o que é um sistema, as partes em que pode fazer um conjunto; e vi que isso tinha a ver com o que fiz e o que me interessa”.

O alicerce dessa pesquisa, explicou a artista, é o auto-testemunho ou autoconsciência, que funciona sobre dois pólos, objecto e sujeito. “Quando um se move, o outro também, num jogo relacional.”

“Aí aparece o processo de criação, onde existe uma evolução. Pensando nesse pensamento sistémico, fiquei curiosa em como seria o pensamento da Andrea, e como se visualiza esse sistema”, disse a artista.

Andrea Ebert falou também nas várias vertentes da sua prática, que inclui a ilustração, as artes marciais, o shiatsu e o trabalho com jovens.

A partir de 2014, uma vez por semana, numa escola nas Olaias, Andrea começou o Clube do Desenho, um trabalho para desmistificar o desenho e o trabalho visual que surgiu de uma observação de uma professora que lhe falou do “medo de desenho”. Com esses jovens, Andrea trabalhou a pratica do fazer, o uso do espaço com respeito, o sentido de autotestemunho, a adaptabilidade a desburocratização e o olhar crítico, sendo o desenho uma ferramenta e com um método que a artista vê também como “sistema”.

A sessão foi depois aberta a perguntas, e foram debatidos o conceitos apresentados, como a ideia de autotestemunho, a noção de sistema e a relação desta investigação e da prática da artista com o shiatsu e as artes marciais.

Estiveram presentes um grupo de alunos e residentes da MArt, os professores Miguel Ferrão e Paulo Brighenti e ainda a curadora Cláudia Pestana. 

Mais informação sobre a artista em www.andreaebert.me.